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Artigos sobre Contabilidade

Dinheiro ou cartão? Eis a questão


"Qual é a melhor forma de pagamento? Dinheiro ou cartão? "

 

Publicado: [04.03.2008]




Quantas vezes já não nos vimos diante desta cruel dúvida na hora de pagarmos algo: pagarei em dinheiro ou cartão? Uma crucial pergunta que significará um gasto maior ou menor do seu dinheiro. Este artigo tem como objetivo traçar vantagens e desvantagens no pagamento com cartão ou dinheiro vivo.

Vamos começar falando sobre os cartões de crédito, esta invenção ainda da década de 1920. Nascido nos EUA, no início do século XX, os primeiros cartões de crédito tinham como função fidelizar clientes de postos de combustíveis, restaurantes ou hotéis. O funcionamento era semelhante ao de hoje, isto é, serviços ou mercadorias eram consumidos, tendo o cliente um prazo maior para quitar o pagamento. Graças à evolução tecnológica, bancos e outras entidades financeiras começaram a se interessar por este “dinheiro de plástico”. Os cartões de crédito tomaram a forma que têm hoje a partir da década de 1950, com a Diners Club.

A facilidade do cartão de crédito, ou dinheiro de plástico, é o fato de não precisarmos andar com dinheiro vivo – dependendo do local  onde vivemos, andar com muito dinheiro pode ser um chamariz para ladrões. Outras três vantagens dos cartões de crédito são o prazo para pagamento, em média de 40 dias; a facilidade para efetuarmos compras que exijam grandes quantias para pagamento; e o seguro contra roubo ou perda, que cancela todas as compras efetuadas após o crime ou perda. Apesar destas vantagens, os cartões de crédito oferecem armadilhas. A principal destas armadilhas é gastar muito mais do que os recursos que se têm disponíveis, sendo muito mais perigoso para aquelas pessoas que são compradoras compulsivas. Mesmo que se tenha clara intenção de se gastar pouco, usar um cartão de crédito incentiva um gasto maior pela facilidade de acesso ao capital.

Uma outra desvantagem no uso de cartões de crédito é no pagamento da fatura. Caso os gastos mensais estourem o seu orçamento pessoal, é possível que não sobre dinheiro suficiente para saldar o valor total da fatura. Ai pode dar início a um círculo vicioso que só trará benefícios para as administradoras de cartão, pois o valor que não foi pago será acrescido de juros na ordem de 14%, pelo menos, além da multa por atraso no pagamento.

Infelizmente, um cartão de crédito encoraja o portador a comprar muito mais do que deseja ou precisa. Isto é comprovado num estudo publicado num sítio norte-americano. Segundo o sítio Soundmoneytips.com, as pessoas gastam entre 12% e 18% a mais em compras usando o cartão de crédito do que se fossem pagar com dinheiro. A questão é manter-se firme e resistir àquelas promoções do tipo “pague em 10 vezes de $49,99” – as redes de lojas se valem muito deste artifício  para atrair cada vez mais compradores. Muito cuidado também com o dinheiro oferecido para saque, pois nele recairá uma taxa de juros na razão de 12% (consulte a fatura mensal e veja o valor praticado por sua administradora), além de uma taxa de utilização do caixa eletrônico.

A principal vantagem do dinheiro vivo (ou cash, como preferem dizer os norte-americanos) é não permitir que se gaste mais do que se disponha naquele momento. Tomado pelo impulso da compra, é possível  que um comprador queira ir a um caixa eletrônico  mais próximo e queira sacar mais dinheiro. Este tempo entre o “impulso comprador” e a ida ao caixa eletrônico poderá fazer o consumidor refletir sobre a necessidade daquela compra. Se com o cartão de crédito, as barganhas são mais difíceis, com dinheiro vivo é possível conseguir descontos. O dinheiro vivo é sempre melhor para qualquer comerciante. Negocie.

Dinheiro só não é recomendado para compras que resultam no porte de grandes quantias. Comprar um veículo ou um microcomputador pode ser realizado pelo cartão de crédito ou cheque. Neste caso pode surgir uma outra personagem: o cartão de débito, amplamente aceito em estabelecimentos comerciais. Ele funciona como dinheiro vivo, mas permite que seu usuário ceda ao impulso consumista. Um outro detalhe é que não é informado o valor disponível na conta a cada transação, o que pode fazer a utilização do limite especial. Aí, mais problemas com as taxas de juros.

Antes de escolher a melhor forma de pagar suas compras, é preciso conhecer seu próprio orçamento. Perguntas como “preciso mesmo comprar isso?”; “em que isso me será útil?”, devem ser feitas. É extremamente  útil termos algum tipo de controle sobre o que pagaremos num período de, pelo menos, 30 dias. Ceder ao impulso de comprar pode ser algo bem difícil, mas se puder evitar, não ande cartões de crédito, prefira estar com dinheiro vivo em sua carteira.

 

 

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  Everton Vasconcelos

Everton Vasconcelos é contador, formado pela Faculdade de Administração e Ciências Contábeis, da UFRJ. Escreve textos sobre Contabilidade, Finanças Pessoais e Mercado Financeiro. Tem experiência como palestrante do SEBRAE-RJ, atendendo a pequeno e médios empresários. Participou da XXIV Semana de Iniciação Científica da UFRJ, apresentando um trabalho sobre a Prefetiura da Cidade de São João de Meriti.

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